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Cupins são pequenos insetos da ordem
Isoptera, que vivem em sociedade como as formigas e abelhas,
e são capazes de destruir madeiras.
A colônia é uma sociedade bem
organizada, onde os indivíduos estão subdivididos
em castas e exercem as funções bem definidas
descritas a seguir:
Os reprodutores com asas saem do ninho na
época das revoadas com a finalidade de fundar novas
colônias. Os insetos alados (com asas) são denominados
"siriris" ou aleluias, e as revoadas ocorrem nos
meses da primavera e do verão, geralmente nas tardes
quentes. Após a revoada, os insetos destacam as asas
e formam-se os casais que procuram locais ocultos e propícios
para acasalamento e formação de nova colônia.
Os operários executam as tarefas básicas,
como o cuidado com os ovos e filhotes, construção
do ninho e dos túneis e obtenção do alimento
para a colônia.
Os soldados têm a cabeça e as
mandíbulas desenvolvidas e são responsáveis
pela defesa da colônia. São agressivos e os primeiros
a se apresentar para o combate quando a colônia é
perturbada.
Nem só o cupim ataca a madeira.
Além dos cupins, existem as BROCAS
de madeira que também podem causar estragos neste material.
As brocas são pequenos insetos da ordem Coleóptera,
que é o grupo dos besouros. Este é o maior grupo
dos insetos, com mais de 250.000 espécies, distribuídas
em diversas famílias. Entre estas, duas têm importância
como destruidoras de madeira na cidade de São Paulo:
a família ANOBIIDAE e a família LYCTIDAE.
ANOBIIDAE
Os insetos desta família atacam a
madeira seca, sendo comuns em armários embutidos, em
móveis diversos, especialmente aqueles construídos
com pinho e em acessórios artesanais constituídos
de madeiras, palhas ou fibras. Atacam também adornos
constituídos de grãos ou sementes. Os adultos
mais comuns dessa família são pequenos besouros
ovalados, de aproximadamente 4mm de comprimento e coloração
castanho escuro. Algumas espécies desta família,
além de atacar a madeira, também atacam o papel,
sendo denominadas por isso de "brocas de livros".
Nas peças atacadas pode-se observar
pequenos orifícios com cerca de 1.5 a 2mm de diâmetro,
por onde é liberado um resíduo seco, ligeiramente
granulado, porém mais fino do que o de cupins de madeira
seca.
LYCTIDAE
As brocas dessa família atacam apenas
o alburno (brancal) de madeiras secas com vasos (poros) de
grande diâmetro, como o Virola, o Angelim, a Cerejeira,
etc. Costumam atacar os compensados mais baratos que não
recebem tratamento preventivo durante sua fabricação.
Não atacam o Pinho, que é uma madeira muito
atacada pelos cupins e pelos anobídeos porque esta
madeira não tem poros grandes. Os adultos mais comuns
desta família são pequenos besouros de corpo
fino e alongado medindo de 3 a 6mm de comprimento, de coloração
castanho avermelhado. O resíduo produzido pelos insetos
é um pó muito fino, com textura semelhante a
do talco.
CICLO DE VIDA
Tanto as brocas da família Lyctidae
como as da Anobiidae apresentam um ciclo de vida subdividido
em quatro estágios: ovo, larva, pupa e adulto. A fêmea
fecundada põe ovos na madeira: no caso de Anobiidae
em frestas, orifícios ou superfícies grosseiras;
e no caso dos Lyctidae, apenas no interior dos vasos da madeira,
abrindo galerias no seu interior. A larva se alimenta da madeira
e depois de alguns meses está bem desenvolvida e passa
para o estágio de pupa, quando o inseto torna-se inativo,
deixando de se alimentar. A pupa sofre grandes transformações
que resultam no inseto adulto, que é um pequeno besouro
que perfura a superfície da madeira e sai ao meio externo
para procriar. As fêmeas fecundadas voltam a por ovos
na madeira, completando-se assim o ciclo.
O cupim não ataca somente a madeira.
Os cupins que infestam as casas e edifícios
se alimentam basicamente da madeira, mas também atacam
outros materiais celulósicos como o papel e papelão,
tecidos e outros materiais orgânicos (que são
derivados de organismos vivos).
Os cupins de madeira seca, além de
madeira, podem causar danos em livros e papéis.
Já os cupins de solo são capazes
de perfurar ou produzir estragos em muitos outros materiais
presentes no edifício, quando estes servem de obstáculo
entre a colônia e a fonte de alimento que é a
madeira. São capazes de perfurar os diversos componentes
de alvenaria como os pisos, paredes, as lajes impermeabilizadas,
etc.
Além da madeira, podem danificar embalagens
e materiais depositados constituídos de papel, tecidos,
lã, couro e borracha, entre outros. Por este motivo,
nos prédios e residências infestados também
podem ser danificados os mais diferentes objetos e acessórios
como sapatos, malas, roupas, cobertores, livros e documentos,
especialmente quando estes permanecem sem manuseio e depositados
por longo tempo.
Cupim como concreto?
Os cupins de solo podem desgastar o concreto
para permitir a passagem, quando este é obstáculo
entre a colônia e a madeira. Como os insetos são
pequenos, eles fazem pequenas perfurações aproveitando
as fissuras e falhas já existentes, assim como os vãos
existentes entre o concreto e os demais componentes do edifício,
como os conduítes e dutos hidráulicos.
No ponto particular em que o ninho está
diretamente em contato com o concreto ou alvenaria o dano
pode ser maior, havendo perfuração mais intensa
em componentes como tijolos de bairro. As secreções
e subprodutos da atividade vital dos cupins causam alteração
superficial no concreto e oxidação na ferragem
quando esta está em contato direto com a colônia.
Portanto, os cupins não se alimentam do concreto. Podem
apenas produzir ligeiro desgaste apenas para obter passagens
para os túneis, entre os diversos componentes da edificação.
Como descobrimos que um local está com cupim?
Descobre-se a infestação de
cupins buscando-se principalmente as pistas deixadas por estes
insetos nos locais atacados. Os cupins de madeira seca liberam
os resíduos fecais secos e granulados que se acumulam
próximos às peças afetadas. Isto é
fácil de ser observado nos componentes ocultos que
permanecem sem limpeza freqüente, como a face superior
dos forros de madeira, madeiramento dos forros de estuque,
etc.
Onde a limpeza é freqüente, como
no mobiliário deve-se procurar os pequenos orifícios
(de 1 a 2mm) na superfície da madeira e os resíduos
fecais acumulados em cantos e frestas que são normalmente
mais difíceis de serem limpos. Após os cupins
eliminarem parte dos resíduos fecais pelos orifícios
da madeira, eles os vedam novamente com uma película
normalmente de coloração marrom. O principal
indício da infestação de cupins de solo
é a presença de túneis em paredes, lajes,
rodapés, molduras de portas, etc.
Nos armários embutidos devem ser cuidadosamente
inspecionadas as peças internas para observação
do material vedante com que cupins preenchem as frestas, ou
mesmo da presença de túneis ou deterioração.
É freqüente também a observação
dos túneis ou resíduos nos dutos elétricos.
Além disso, as revoadas no ambiente interno ou externo,
no solo, em árvores, é indício seguro
de infestação.
Por que eles aparecem no calor?
Nos meses quentes, após o inverno,
apenas ocorrem as revoadas, que são a liberação
dos reprodutores alados (com asas) com a finalidade de procriação
e fundação de novas colônias. Portanto,
quem aparece são os alados provenientes de colônias
já existentes e bem desenvolvidas, que podem permanecer
ativas durante muitos anos.
Quais as regiões onde predominam os cupins?
Os cupins são típicos das regiões
tropicais, que são países de clima quente. Raros
ocorrem nas zonas temperadas, de clima frio. Na cidade de
São Paulo, os cupins de solo estão dispersos
nas regiões mais antigas da cidade, como o centro e
seus bairros próximos, assim como nos bairros periféricos
mais distantes, porém antigos.
Lembramos que o Coptotermes havilandi está
muito bem adaptado ao ambiente urbano e é oportunista
em explorar as condições favoráveis ao
seu desenvolvimento, como é o caso dos caixões
perdidos das lajes de concreto, onde eles encontram abrigo,
alimento e umidade. Como as condições favoráveis
persistem também nos bairros mais novos, a tendência
é que as infestações lentamente se expandam
para essas regiões, por meio das revoadas.
Os cupins transmitem alguma doença?
Os cupins não são vetores de
doenças ou agentes perniciosos ao homem, sejam infecciosos,
parasitários, ou de outra natureza. Observa-se que
as chances de contato com os humanos são mínimas,
posto que os cupins vivem ocultos no interior das colônias,
exceto nos curtos períodos em que ocorrem as revoadas.
Móveis que soltam pó têm cupim?
Móvel que solta pó pode ter
o ataque de cupins de madeira seca, que tem o resíduo
grande e granulado bem característico, ou o ataque
de brocas de madeira, sendo que no caso de anobídeos
o resíduo é ligeiramente granulado e mais fino
do que os cupins de madeira e no caso dos lyctídeos
o resíduo é muito mais fino, semelhante a talco.
Não deve ser confundido com o pó de madeira
que resulta entre o atrito entre partes móveis e fixas,
como, por exemplo, o atrito entre uma gaveta e seu trilho.
Das peças atacadas por cupins de solo,
não há a liberação de pó
ou resíduo típico como os dos demais insetos,
entretanto, podem ser liberados detritos diversos como fragmentos
de túneis, partículas de solo, de argamassa,
de tintas, ou de outros materiais utilizados pela colônia.
Os cupins fazem barulho?
Os insetos xilófagos produzem ruídos
ao desgastar a madeira que são inaudíveis aos
ouvidos humanos e só podem ser ouvidos com sofisticados
equipamentos de ampliação de som. Entretanto,
nas peças atacadas por cupins de solo podem ser observados
leves ruídos devido às atividades da colônia,
e mais especificamente devido ao comportamento agressivo dos
soldados que batem rapidamente a cabeça produzindo
certo ruído quando a colônia é molestada.
Os cupins podem danificar as fundações da casa
a ponto de derrubá-la?
Os cupins podem danificar as fundações
e a estrutura de uma casa se estas forem de madeiras susceptíveis
e sem tratamento. Nas casas de alvenaria, apesar dos cupins
subterrâneos conseguirem desgastar levemente os materiais
construtivos envolvidos, inclusive o concreto, eles não
conseguem causar dano significativo, muito menos a ponto de
derrubá-la.
COMO COMBATER?
Qual a melhor forma de erradicar o problema?
Qual o melhor produto para acabar com os cupins?
A melhor forma de erradicar o problema é
utilizar a estratégia adequada para cada caso. No caso
das brocas e dos cupins de madeira seca, os tratamentos devem
ser direcionados às peças atacadas com a finalidade
de exterminar os insetos existentes na madeira e impedir que
novas fêmeas fecundadas das brocas, ou os casais reais
dos cupins, voltem a se instalar nas peças, produzindo
a reinfestação.
Os produtos existentes no mercado para o
controle de insetos de madeira são eficientes contra
cupins e brocas de madeira. A maioria tem boa permanência
na madeira seca. No solo, o tempo de degradação
dos produtos tende a ser mais rápido do que na madeira
seca, em função da maior heterogeneidade daquele
material; como a diferente natureza química dos solos,
a existência de resíduos ou subprodutos da obra
de construção, como cal, cimento, ácido;
a presença de umidade e microorganismos do solo etc...
Por isso, algum produto durável na
madeira tem menor ação residual no solo, produzindo
proteção menos prolongada. Os inseticidas emulsionáveis
disponíveis para tratamento do solo são do grupo
dos piretróides sintéticos, dos organofosforados,
e dos organoclorados. Estes últimos são os que
apresentam maior ação residual no solo, sendo
eficiente por cerca de uma década. Entretanto, sobre
estes recaem as maiores restrições da legislação,
devido aos riscos de contaminação ambiental,
justamente por serem compostos muito estáveis no meio
ambiente.
A Deltametrina e o Aldrin são respectivamente
o piretróide sintético, o organofosforado e
o organoclorado mais usuais no controle de cupins em edificações.
Após o tratamento, quanto tempo deve-se ficar fora
do local?
Deve-se ficar fora do local tratado enquanto
persiste no ar o vapor dos produtos utilizados no tratamento.
Portanto, depende do tipo e intensidade do tratamento executado
e das condições de ventilação
do local. No caso dos dormitórios onde houve tratamento,
recomenda-se que estes sejam liberados para dormir na noite
do dia posterior ao tratamento.
Feito o tratamento, quanto tempo depois poderá ser
feita a limpeza?
Após 24 horas, se o local estiver
seco. Se não estiver, passar um pano seco que absorva
o produto, deixando o local bastante ventilado para que o
produto evapore totalmente.
Com que produto de limpeza pode-se limpar azulejos? E móveis?
Nos móveis, o ideal é limpar
apenas com pano seco evitando qualquer tipo de produto de
limpeza. Nos azulejos, pode-se usar o produto de limpeza de
costume da casa.
Depois de quanto tempo pode-se guardar os objetos e roupas
de volta nos armários?
Após a secagem dos solventes para
evitar manchas nas roupas. Se possível, cobrir as prateleiras
com plástico.
Pode-se permanecer no local do tratamento para assistí-lo?
Sim, durante a preparação do
local (furações). Durante a aplicação
dos produtos químicos, usando os equipamentos de segurança
individual e observadas as condições já
citadas em resposta anterior.
Deve-se retirar os animais domésticos do local do tratamento?
Sim, para evitar qualquer tipo de contaminação
e retorná-los após 24 horas.
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